Entenda o que acontece no organismo quando essas condições mais comuns aparecem e o que fazer para combatê-las
Dores de estômago e má digestão costumam ser encaradas como fatos normais, principalmente por homens. De fato, elas são simples, mas se recorrentes podem desencadear problemas sérios no corpo
AZIA
O esôfago é um túnel de músculos que funciona como uma calha para o transporte da comida para o estômago. Em teoria, deve funcionar como via de mão única, mas alguns ácidos às vezes retornam e provocam a azia.
Essa reviravolta pode ser causada por uma refeição exagerada, ou pelo hábito de deitar logo depois de comer. "E ela é muito comum: 20% da população têm azia uma vez por semana", diz o gastroenterologista Eduardo André. "Mas azia crônica pode ser sinal da doença de refluxo gastroesofágico (DRGE)", alerta.
Essa síndrome ocorre quando a válvula que controla a entrada de comida no estômago pára de trabalhar adequadamente. O problema não tratado pode levar ao câncer.
Para aliviar a queimação, corte a gordura. Um estudo publicado no Gut, periódico inglês especializado em gastroenterologia, avaliou os hábitos de 371 pessoas e descobriram que aquelas que não sofriam com azia comiam cerca de 10 gramas a menos de gordura por dia do que as vítimas de queimação. "As gorduras relaxam o esfíncter do esôfago, o que facilita o refluxo", explica Carlos Eduardo Jacob, especialista do Hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo.
Exercícios físicos também agem sobre a incidência de DRGE. Pessoas que caminham por 30 minutos uma vez por semana corriam risco 50% menor de sofrer dessa doença, em comparação aos sedentários. A hipótese dos cientistas é que a atividade aeróbica fortalece o diafragma, que exerce pressão sobre o esfíncter.
DICA: se a azia atacar, fuja dos sais de frutas. Eles têm ácido acetilsalicílico, que vai aumentar a acidez do sistema gastrointestinal e pode piorar o desconforto.